Preenchidamente vazio



Se você estivesse aqui, a música seria mais doce. Se você estivesse aqui, minhas mãos estariam quentes. Se você estivesse aqui, meus olhos teriam onde focar. Se você estivesse aqui, eu sorriria. Se você estivesse aqui, eu dormiria ao amanhecer. Se você estivesse aqui, meu fôlego se esvairia. Se você estivesse aqui, sentiria seu cheiro. Se você estivesse aqui, o relógio seria meu inimigo. Se você estivesse aqui, eu teria a quem dar boa noite antes de dormir. Se você estivesse aqui, me perderia nos sonhos e não nos pesadelos. Se você estivesse aqui, teria com quem passar as tarde chatas de um domingo monótono. Se você estivesse aqui, minhas lágrimas seriam amparadas. Se você estivesse aqui, meus ombros estariam relaxados e meus lábios molhados. Se você estivesse aqui, gargalharia com suas piadas sem graça. Se você estivesse aqui, eu teria alguém para acariciar. Se você estivesse aqui, eu ouviria o som da sua voz. Se você estivesse aqui, meu coração não se apertaria por saber que você já está.

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Dois post's no mesmo dia? To querendo me livrar dos textos antigos, confesso! haha


Se não tem nada a fazer, leia!


Quando não se tem nada a fazer, normalmente nos perdemos em pensamento, revivendo memórias e criando filosofias deturpadas. Uma tarde em casa sem absolutamente nada a fazer, me levou a isso.

Mas antes busquei em meio a minha montanha de livros algum que me interessasse reler. Não demorei a encontrar um pequeno, de capa branca, com detalhes em preto e vermelho. Eu amava a imagem daquela capa, seria capaz de ficar horas a encarando, e ainda nem me sentir cansada quando me afastasse. Li umas tantas trinta paginas, até começar a refletir com meus olhos naquelas frases, não as lendo realmente.

Uma menina com cobertor até o queixo e um olhar de expectativa. Um cobertor vermelho devo ressaltar. A menina amava aquele cobertor, havia sido de seu pai. Esse mesmo que se encontrava sentado em um banco, ao lado de sua cama procurando nas lembranças algo que ainda não tivesse contado. A menina remexia os pés, inquieta pela espera, ansiosa como sempre. Até que os olhos castanhos recaíram sobre ela, iluminados pela fraca luz de um abajur rosa posto na estante branca, pintada pela criança há alguns dias.

O simples assovio da voz do pai fez os olhos ansiosos se fecharem, o corpinho redondo se afundar mais no colchão, agarrando com força o tecido vermelho, como se isso fosse lhe trazer mais conforto.

Em poucas palavras ela não estava mais em seu quarto, quentinha e protegida. Estava na Amazônia em uma viagem de carro com seu avô lhe sorrindo pelo retrovisor. As arvores gigantescas corriam pelo lado de fora do vidro, imponentes e sacolejantes. Passaram por uma enorme placa, e o avô – mais jovem do que poderia se lembrar – lhe comentava algo engraçado, a fazendo gargalhar gostosamente, quase que não lhe sobrando ar nos pulmões.

Alguns segundos depois não estava mais sentada em bancos macios de couro, e sim nas costas fortes do cavalo mais veloz daquela fazenda. Corpo e olhos escuros, cavalgando com tanta ferocidade que o vento estapeava a face da pequena menina. E como em um estalo o alazão não estava mais lá, e seu corpo estava parado no ar, ao menos até ir de encontro ao chão em uma queda dolorosa compensada pela fruta saborosa em sua mão.

Em baixo do tecido vermelho ela pode sentir o gosto doce e levemente azedo tomando conta de suas papilas gustativas, a dor da queda desaparecendo. O sorriso genuíno estampando o rosto infantil.


“Pronto filha, por hoje está bom! Amanhã eu me lembro de outras histórias.”

“‘Ta’ bem pai. Me conta a do cavalo amanha de novo? “

“Conto! Boa noite princesinha, amo você.”

“Também te amo pai.”


E no dia seguinte, novas histórias de infância. E nas semanas seguintes, o primeiro capítulo de um livro da sua estante branca. Depois o segundo, o terceiro. E lá se ia outro livro, e mais outro e mais outro. Até que ela já não precisava mais da presença do pai para dormir e muito menos de seus olhos e seus lábios para lerem a história a ela – a menininha fazia por si mesma agora. Buscava livros na biblioteca, ganhava outros de presente, e se perdia cada vez mais naqueles amontoados de sonhos.

Com o tempo seus professores passaram a lhe dar livros como tarefa, estes que ela lia de bom grado. E em mais alguns anos, com seu dinheiro minguado já comprava os próprios livros nas livrarias da cidade. Uns de capa preta e laranja, outros de capa rosa, outros de capa marrom e outros de capa branca e detalhes em vermelho e preto, que releria mais umas tantas vezes quando estivesse em casa de tarde, sem nada a fazer e pouco a filosofar.

Leria umas tantas trinta paginas até se perder em suas próprias lembranças de como lhe foi apresentado os sonhos em formar de palavras. Abrindo os olhos embaçados pela saudade.


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Primeiro post de 2011. Gostei do fim, não gostei do inicio! haha Enfim... Espero que o ano tenha começado bem, e se não, que melhore. Prometo que ao menos os meus textos irão ;D

Este ano [...]


Última semana do ano e senti-me um pouco obrigada a dar as caras por aqui. Talvez postar algum das dezenas de textos que já se encontram feitos ou criar algo novo e especial... Mas desta vez quero fazer diferente! Não criei o blog com o objetivo de transpassar aos possíveis leitores minha vida ou meus pensamentos, não de forma direta ao menos. O criei para mostrar aquilo que escrevo e que tinha medo que nunca fosse lido. Mas, dessa vez, neste fim de ano, quero falar de mim!

Falar do ano repleto de mudanças, em que conheci partes do meu ser com o qual nunca havia entrado em contato. Um ano que vivenciei novas experiências. Onde senti vergonha, senti medo, alegria, prazer. Um ano como todos os outros, em que revi conceitos e aprendi – ou não – com meus erros.

Essa etapa que me ensinou a realmente enxergar e não somente observar. Enxergar as pessoas, seus desejos e seus medos. Enxergar os meus medos, para então confrontá-los. Etapa em que decepcionei a muitos e muito, mas que também preenchi de orgulho alguns aptos a oferecer uma segunda chance. Um ano em que expandi minha mente, dando abertura a idéias e conceitos novos, que mudaram minha forma de interagir com o mundo e com aqueles que o habitam. Ano em que me tornei mais tolerante, porem menos ingênua, menos inocente, perdendo a visão infantilizada que tinha. Um ano em que tive medo de crescer, medo de assumir o papel de adulta e ter de acreditar naquilo que os outros adultos acreditavam. Existe uma briga de cães ferozes lá fora e, você será jogado para o meio dela, sem escapatória!

Uma etapa em que conheci a muitos, me aproximei de muitos. Esses que tão rápido quanto surgiram, desapareceram. Ano em que sorri. Deus, como sorri! Contei piadas idiotas e ri de outras piores. Mas também chorei escondida sem que soubessem. Amparei ombros cansados, e dei o meu máximo para que se fortalecessem por mais uma vez, esperando que um dia fossem capazes de fazer o mesmo por mim. Um ano em que senti ódio, que caluniei e que disse o que não devia. Um ano que calei quando queria falar e falei quando deveria calar. Não tive medo de repreensões, muito menos das opiniões alheias. Onde aprendi a ter orgulho de quem sou, e caso alguém não gostasse que fosse obrigado a me engolir feito pedra por sua garganta.

Ano que passou velozmente arrastando a saudade com ele. Saudade que não me deixa esquecer e que me motiva a escrever. Saudade que sentirei quando ler este texto daqui a anos e não me lembrar de tudo que gostaria, perdendo alguns momentos pelo tempo.

Quis falar de mim, pois não sou mais a mesma, meus textos não serão mais os mesmo, nem você será mais o mesmo. Porém não devemos sentir saudade de quem fomos. Na última semana do ano que vem, não serei mais a mesma. Sentir saudade seria uma perda de tempo e o tempo, passou velozmente!

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Um ótimo fim de ano a todos e um 2011 sem igual ;D

Bjooo's

Quanto custa a nostalgia!


Existem certos momentos de nostalgia. Onde você para e somente pensa, ou quem sabe observa, ouvi. Sua mente divaga, te levando a momentos passados sem o poder de uma maquina do tempo. E lá você observa tudo com novos olhos, novas criticas e com o surgimento da nova saudade. Lá você observa os movimentos de alguém que já se foi talvez do mundo, talvez e somente talvez, da sua vida. Sorri do tombo onde antes havia derramado lagrimas, derrama lágrimas por sobre o sorriso que antes havia dado. Deseja os braços que rejeitou, rejeita os braços que já amou. Lá suas bochechas coraram por timidez, hoje coram por raiva. Aquela pele era macia e deslizava por seus dígitos. Aquela pele é seca e as feridas doem.

Lá você não media as palavras, não media os atos, não se media. Hoje você não mede, os outros medem por você! Medem o que diz, medem o que faz e medem o que és. Não pensava no futuro, tinha medo do passado e vivia intensamente o presente. Lá você achava que era dono do mundo, que ele não dava voltas e que nunca, jamais seria justo. O se era somente uma silaba, não definiria suas orações. Lá você não sentia nostalgia e lá, você não tinha um passado pelo qual pagar.

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Texto que fiz ontem. Talvez em meio a um momento de nostalgia. o/

Bullying



O despertar era sempre angustiante. Enrolava sob os lençóis. O banho era longo, o café da manhã indigerível. Dentro do carro sonhava com uma meia volta a sua cama, aos lençóis macios e receptivos.


Quando sentia os pneus parando de girar o corpo se colocava para fora em um impulso, a mochila pesando em suas costas e o peso frio se instalando em seu estomago novamente. As mesmas dúvidas carentes por mais uma vez, o peso se remexendo desde quando os pés tocaram o chão e passaram a se mover.

Escutava os comprimentos, via os sorrisos nas caras de sono, sentia o calor a sua volta, mas nada para ela. A sala era tão grande e, sua carteira tão distante!

A porta se fechava, mais uma vez era ela contra eles. Tentava não demonstrar a apreensão de estar em desvantagem, o desgosto ao ver as carteiras vazias a sua volta, o amargo do peso gélido que não desapareceria por longas cinco horas.


Escutava o desdenho, via o escárnio, sentia a solidão, e era tudo para ela. Os ponteiros se tornavam tão lentos!


O intervalo tido como momento de descontração, era o pior. Sem aonde ir e muito menos com quem ir. Sentar, andar, por favor, arranjar algo para fazer. E então voltar a sala, agora tão pequena que todos podiam vê-la retornando sozinha e mais cabisbaixa ao seu lugar. A porta se fechava, e o alivio se aproximava. Estava acabando! Os ponteiros ainda eram lentos, mas estava acabando, faltava pouco, muito pouco.

Quando o sinal tocava era como se música soasse. O material guardado em segundos, uma das primeiras a passar pela porta. A entrar no carro. A partir.

Com o carro em movimento o alivio sumia. O retorno do desgosto e o acelerar dos ponteiros. Quando o sol se pusesse a angustia retornaria com a obviedade de uma nova manhã, com a iminência de um novo despertar, com a incerteza de um novo dia escolar.



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Texto antigo, que fiz logo após presenciar uma cena de Bullying em minha sala de aula. Não fiquei satisfeita com o resultado, mas não o refiz por saber que escrevi com sentimentos que não estariam presentes ao reescrevê-lo ;D
Eleições chegando! Já decidiram em quem votar ?

Incomparência




Sinto falta dos olhares lascivos. Dos beijos convidativos. Dos sonhos esquecidos. Sinto falta das tardes ensolaradas. Das mãos molhadas. Das orelhas rasgadas. Saudade da sua pinta brilhante. Do seu jeito distante. Seu perfume delirante. Saudades do elogio eloqüente. Da conversa convincente. Dos abraços ardentes. Privada da sua companhia, da sua presença, sua decadência. Carente do seu perfil problemático. Do jeito apático, mas comigo preocupado. Carente dos seus tapas. Dos seus cigarros e garrafas. Sinto falta do seu andar cansado. Do celular ligado. Do nosso fundo amarelado. Sinto falta dos óculos que usava. Da música que abusava. Do homem que me falava. Sinto falta das indiretas. Das cobiças sempre certas. Minhas vontades encobertas. Sinto falta do seu passado. Do cabelo desordenado. Do meu apetite saciado. Do medo de te ver. Da vontade de crescer. Do tempo que sonhava em te ter.


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Desculpe pela falta de atualizações, mas é que fiquei sem o meu computador principal durante um bom tempo, e nele se encontram os meus textos. Aleluia senhor, ele está de volta XD Por favor, deseje boas férias a mim HAUAH ! (Y) E é, esse texto não tem nada a ver comigo oO

Semelhança Política




Na última postagem disse que o assunto abordado nesta, seria política. Sorte que não especifiquei! No dicionário temos como uma das definições de política: “Arte de regular as relações de um Estado com os outros Estados.” No sentido literal sua compreensão é simples, no figurado podemos divagar um pouco – chamando de Estado, uma pessoa.


Ao decorrer de nossos dias e das diversas experiências que agregamos a nossa história, agregam-se também novos contatos, novas pessoas, novas amizades. Os mesmos se vão com a mesma facilidade que veem, deixando marcas por vezes inesperadas – boas e/ou ruins. Alguns não desprendem os pés e simplesmente ficam, não cogitando o adeus, já outros contam os segundos no relógio para saírem correndo sem olharem para trás.


E em meio a esse vai e vem de experiências e pessoas, existe a política. “A arte de regular as relações de uma Pessoa com outras Pessoas”. A política da boa vizinhança!


Existem Estados aliados, que trocam informações, elogios. Que auxiliam nas adversidades, até mesmo as financeiras. Criam pontes solidas de concreto entre um e outro, circulando livremente por elas. Mas há também os Estados inimigos, que se caluniam publicamente, discutem, abalam os negócios do outro, se privam da comunicação e da troca de experiências.


Por vezes, Estados aliados rompem os laços e entram em guerra – literais ou não. Quebram as alianças, dão fim às pontes e tornam-se inimigos. Da mesma forma que inimigos vez ou outra se tornam aliados, por simples conveniência ou então pela descoberta de alguma afinidade.


Existem Estados “amigos” de todos. Que aplicam a “política da boa vizinhança” com maestria. São perspicazes e prestativos, simpáticos e flexíveis. Mantém-se longe das intrigas e circuitos de informações, abstendo-se frente ao confronto de dois ou mais aliados. E aí, quando à primeira bomba explode, são postos normalmente como traidores, confusos e cagüetas – o que em maioria não são.


E também existem os “inimigos” de todos. Altivos e egocêntricos, centrados em seu próprio bem estar. Aliam-se por conveniência, difamam por conveniência e traem premeditadamente. Adoram intrigas e uma boa batalha, que por vezes lutam e por vezes apenas observam o “incêndio no circo”. Normalmente não são postos como inimigos quando merecem e sim, aliados.


...


Estados e suas políticas variam. Pessoas e suas relações variam. O interessante é apenas a facilidade de relacioná-los e, suas semelhanças. O angustiante é que Estados e Política não mudam e nem se vão, mesmo que escancaremos as portas.

Talvez eu vote nessas eleições...




Apesar de doente, o meu cérebro ainda funciona -q XD '

E uma obs.: Votem !





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