A manhã mais fria, o dia mais nublado, a noite mais escura. Tudo tão ínfimo, pequeno e insignificante, frente aquelas presenças. O imperceptível sorriso se distorce em uma gargalhada. Os olhos –antes castanhos – adquirem um tom avermelhado, graças às abundantes lágrimas. Ora de alegria ora de tristezas, mas sempre salgadas e saborosas quando findam em meus lábios. Meu corpo se agita, tornando-se impossível manter os braços colados a minha estrutura. Eles enlaçam pescoços, cinturas, procurando o aconchego quente e por vezes carinhoso. O ambiente se ilumina, mesmo que eu não possa ver as luzes. Elas ascendem-se vagarosamente, em um cantinho pulsante em meu peito. Tão claras e soberbas. Minha mente não vaga, minhas pernas não me levam para longe. Pois tudo o que quero, tudo o que preciso e até mesmo o que necessito, é ofertado a mim. Sem segundas intenções, sem espera de retorno. A amizade é tão simples, e facilmente demonstrada. Apenas um conjunto de emoções, em busca da perfeição. Presente em cada gesto afetuoso, em cada fria manhã, em cada escura noite. Uma lua, repleta de fases, evoluindo e retrocedendo. Iluminando minhas noites nebulosas. Até o dia em que meus olhos já não enxergarão nada, sem o suave luar.
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