Instinto


A solidariedade e o instinto de autopreservação colidem-se todos os dias. O medo da humilhação e descaso sobressaindo-se perante a possibilidade da oferta de uma mão amiga. Medindo-se os pesos das reações será sempre mais fácil retrair-se para sua “segurança”. Porém, quando todos se absterem, o que será daquele velho “empurrãozinho”? O que será dos seus pedidos de favores?

A solidariedade não se vê apenas nos grandes atos de bondade. Como uma grande cadeia de troca de benefícios ela se estende. Uma ação solidaria talvez não nos traga benefícios imediatos, mas no futuro eles retornarão de mãos improváveis.

É difícil, por vezes impossível, saber quando, ou não, ser solidário. Os alarmes de perigo berram em nossos ouvidos, nos afastando, nos protegendo de ameaças inexistentes. Mas, e quando os lugares se inverterem? Iremos rezar para que os instintos se desfaçam?


Não viva por eles. Não escolha quando ser ou não ser. Ajude quando puder. Faça da solidariedade um instinto.


~~


Depois de um longo tempo sem postar, volto com um texto simples que fiz no meu vestibular. No qual passei, falando nisso, rs. Talvez atualize novamente antes do fim do ano ;)



Não gosto de palhaços


Não faz muito tempo que o povo brasileiro se viu livre de uma época preenchida por um regime ditatorial e opressivo, que nada mais fazia além de alimentar seus próprios desejos e subjugar aqueles que se opunham, de maneira agressiva e obsoleta. Não faz muito tempo que os jovens de outrora lutaram pelos direitos dos quais usufruirmos hoje, com uma coragem pouco vista colocaram suas faces a tapa literalmente e utilizando de todas as formas possíveis – mesmo que nem sempre éticas – criaram as bases políticas atuais.

Bases essas já soterradas pelo que vemos hoje em nosso governo. Talvez não aquele regime ditatorial de antigamente, mas sim um egocentrismo descaradamente ilícito que vem chegando devagar, tão semelhante com o que se vira há não muito tempo.

As novas gerações assistem caladas os esforços de seus avós e pais serem enterrados por tanta sujeira e calhordice. Se alguma revolta finalmente é sentida, a mesma não perdura. Tão rápido quanto apareceu o fogo se vai, antes mesmo que alguma insatisfação atinja aqueles que a causaram.

Nossa memória está fraca, esquecemos os erros cometidos por nossos “governantes” como se os mesmos nunca tivessem existido. Somos cativados pelo sorriso escancarado, pelos discursos prontos e pela simpatia exagerada. E como em um circo, o palhaço mesmo capengando em meio a suas burradas, cai em nossas graças.

Mas nós pagamos pela entrada, nós fomos seu público e alimentamos sua fama. Mesmo que as bases antes criadas estejam soterradas por tanta sujeira, ainda estão lá e por nossas escolhas o governo caminha pelo caminho que se encontra.

Nossos pais e avós não esqueceram e muito menos assistiram sentados a hipocrisia da qual um ser humano com poder é capaz. Eles se levantaram de suas poltronas e agiram. Não faz muito tempo que venceram uma batalha não só por eles, mas pelos que viriam a seguir, pelos que herdariam sua vitória. Fizeram por nós! Que usaríamos seus exemplos para manter aquela base forte, firme, sem que precisássemos sofrer como sofreram para que nossos filhos recebessem o que recebemos.

Por isso não assistam calados, não mudem de canal, não se mantenham ignorantes. Façam com que suas vozes sejam ouvidas, alguém sempre escuta, cedo ou tarde. Não deixem que os tempos de outrora se tornem os tempos de hoje.


~~


Não tenham medo de se levantar, as pessoas só precisam perceber que não estão sozinhas para logo em seguida se colocarem ao seu lado. Até a próxima :)

Peça Atemporal



Há muito fechei meu coração para o amor. Nem mesmo me recordo como é senti-lo. Existe aqueles que dizem o amor ser irrefreável, inevitável, e realmente o é. Mas ao decorrer dos anos aprende-se a evitá-lo, barrar o sentimento antes que se torne real.

Aprendi a negá-lo e a negar também meus amores antigos. Não sei se o afastei por medo ou algo semelhante, pois nunca me encontrei farta de amar, farta de sofrer. Simplesmente aconteceu! E como em um piscar de olhos todos amavam, menos eu.

Observo seus desesperos, seus desejos e anseios. Observo as brigas e os beijos. Vejo tudo da platéia, não fui aceita na peça do amor.

Não sei se sou eu que o rejeito ou se em algum lugar pelo percurso nossas mãos se separaram. Mas ainda assim, mesmo sem saber reconhecê-lo, espero que o amor ache o caminho de volta e me estenda sua mão, para finalmente oferecer-me o papel principal em sua peça.


~~


Demorei a aparecer, mas apareci :) Quantos textos melancólicos, não? Na próxima trarei algo mais alegre, haha.

Palavras impróprias



O coração sente, o cérebro formula e os lábios soletram. Mas o ritual só se concretiza quando a palavra soletrada é ouvida.

Verbos; adjetivos; pronomes; palavras que se juntam e conquistam. Porém se mal empregadas, ferem e afastam. Palavras formam os livros, cantam as músicas e declamam os discursos de posse. De letras às palavras e das palavras uma sentença. Criam opiniões – mudam opiniões –, selam amizades e declaram guerras. Palavras ensinam os que querem escutar, mas enganam os que não querem enxergar.

Um ritual de dois segundos e uma marca de décadas. Palavras são só palavras, o que determinam seu poder é como se sente, como se formula e como se soletra.

~~


Fiz esse pequeno texto para minha última prova de Redação do Ensino Médio, haha. Gostei da mensagem que passa, espero que tenham entendido :P

Um tolo peculiar



Em algum momento pensar positivamente se tornou inútil. Os sorrisos forçados não faziam mais efeito e eu sabia, sabia que ninguém notava. Que as marcas das lágrimas não estariam lá pela manhã, mesmo eu as sentindo arderem na pele.

Olhar pelo lado positivo nada mais é que uma tolice, mas, eu sempre fui um tolo. Sempre acreditei no melhor das pessoas e pensei que elas também acreditavam. E em algum momento eu percebi quer ser tolo não era uma vantagem.

Os sorrisos são gratificantes, porém de nada valem se seguidos de um olhar atravessado às minhas costas. E eu sei que não sou o único, que outros pensam e sentem o mesmo, mas, onde estão? O fato de existir o torna menos real quando não o vejo.

Meus sentimentos tem prazo de validade, e ela é curta. Ainda estou aprendendo a lidar com minhas peculiaridades, com minha gargalhada muda e com meu choro seco. Mas eles existem e posso tocá-los, enquanto o prazo perdura. Poucos momentos de humanidade que desaparecem tão rápidos quanto aparecem.

As desgraças lhe deixam frio, o medo das desgraças lhe deixa frio. E quando menos esperar, irá notar que nada mais importa que os dias passam obrigatoriamente e você vai indo, empurrado por eles. Que seus sentimentos estão tão embaralhados que se tornaram um quebra cabeça sem cantos.

Palavras não são ditas com o mesmo sabor e desfalecem antes de chegarem aos meus ouvidos. E então, finalmente, você já não se importa. Não se importa com o outro e principalmente, não se importa com você. Nesse momento, pensar positivamente se torna inútil. Pois não existe o bom para almejar, o lado bom para se desejar.

Os dias continuam correndo, os sorrisos se mantendo despercebidamente. Mas eu sei que no fim das contas, ainda sou um tolo, e os tolos meu caro, sempre arranjam algo para se agarrar.

~~

Olá! Fiz esse texto em uma madrugada, com os pensamentos de um personagem com o qual eu faça possivelmente uma história :D


Preenchidamente vazio



Se você estivesse aqui, a música seria mais doce. Se você estivesse aqui, minhas mãos estariam quentes. Se você estivesse aqui, meus olhos teriam onde focar. Se você estivesse aqui, eu sorriria. Se você estivesse aqui, eu dormiria ao amanhecer. Se você estivesse aqui, meu fôlego se esvairia. Se você estivesse aqui, sentiria seu cheiro. Se você estivesse aqui, o relógio seria meu inimigo. Se você estivesse aqui, eu teria a quem dar boa noite antes de dormir. Se você estivesse aqui, me perderia nos sonhos e não nos pesadelos. Se você estivesse aqui, teria com quem passar as tarde chatas de um domingo monótono. Se você estivesse aqui, minhas lágrimas seriam amparadas. Se você estivesse aqui, meus ombros estariam relaxados e meus lábios molhados. Se você estivesse aqui, gargalharia com suas piadas sem graça. Se você estivesse aqui, eu teria alguém para acariciar. Se você estivesse aqui, eu ouviria o som da sua voz. Se você estivesse aqui, meu coração não se apertaria por saber que você já está.

~~


Dois post's no mesmo dia? To querendo me livrar dos textos antigos, confesso! haha


Se não tem nada a fazer, leia!


Quando não se tem nada a fazer, normalmente nos perdemos em pensamento, revivendo memórias e criando filosofias deturpadas. Uma tarde em casa sem absolutamente nada a fazer, me levou a isso.

Mas antes busquei em meio a minha montanha de livros algum que me interessasse reler. Não demorei a encontrar um pequeno, de capa branca, com detalhes em preto e vermelho. Eu amava a imagem daquela capa, seria capaz de ficar horas a encarando, e ainda nem me sentir cansada quando me afastasse. Li umas tantas trinta paginas, até começar a refletir com meus olhos naquelas frases, não as lendo realmente.

Uma menina com cobertor até o queixo e um olhar de expectativa. Um cobertor vermelho devo ressaltar. A menina amava aquele cobertor, havia sido de seu pai. Esse mesmo que se encontrava sentado em um banco, ao lado de sua cama procurando nas lembranças algo que ainda não tivesse contado. A menina remexia os pés, inquieta pela espera, ansiosa como sempre. Até que os olhos castanhos recaíram sobre ela, iluminados pela fraca luz de um abajur rosa posto na estante branca, pintada pela criança há alguns dias.

O simples assovio da voz do pai fez os olhos ansiosos se fecharem, o corpinho redondo se afundar mais no colchão, agarrando com força o tecido vermelho, como se isso fosse lhe trazer mais conforto.

Em poucas palavras ela não estava mais em seu quarto, quentinha e protegida. Estava na Amazônia em uma viagem de carro com seu avô lhe sorrindo pelo retrovisor. As arvores gigantescas corriam pelo lado de fora do vidro, imponentes e sacolejantes. Passaram por uma enorme placa, e o avô – mais jovem do que poderia se lembrar – lhe comentava algo engraçado, a fazendo gargalhar gostosamente, quase que não lhe sobrando ar nos pulmões.

Alguns segundos depois não estava mais sentada em bancos macios de couro, e sim nas costas fortes do cavalo mais veloz daquela fazenda. Corpo e olhos escuros, cavalgando com tanta ferocidade que o vento estapeava a face da pequena menina. E como em um estalo o alazão não estava mais lá, e seu corpo estava parado no ar, ao menos até ir de encontro ao chão em uma queda dolorosa compensada pela fruta saborosa em sua mão.

Em baixo do tecido vermelho ela pode sentir o gosto doce e levemente azedo tomando conta de suas papilas gustativas, a dor da queda desaparecendo. O sorriso genuíno estampando o rosto infantil.


“Pronto filha, por hoje está bom! Amanhã eu me lembro de outras histórias.”

“‘Ta’ bem pai. Me conta a do cavalo amanha de novo? “

“Conto! Boa noite princesinha, amo você.”

“Também te amo pai.”


E no dia seguinte, novas histórias de infância. E nas semanas seguintes, o primeiro capítulo de um livro da sua estante branca. Depois o segundo, o terceiro. E lá se ia outro livro, e mais outro e mais outro. Até que ela já não precisava mais da presença do pai para dormir e muito menos de seus olhos e seus lábios para lerem a história a ela – a menininha fazia por si mesma agora. Buscava livros na biblioteca, ganhava outros de presente, e se perdia cada vez mais naqueles amontoados de sonhos.

Com o tempo seus professores passaram a lhe dar livros como tarefa, estes que ela lia de bom grado. E em mais alguns anos, com seu dinheiro minguado já comprava os próprios livros nas livrarias da cidade. Uns de capa preta e laranja, outros de capa rosa, outros de capa marrom e outros de capa branca e detalhes em vermelho e preto, que releria mais umas tantas vezes quando estivesse em casa de tarde, sem nada a fazer e pouco a filosofar.

Leria umas tantas trinta paginas até se perder em suas próprias lembranças de como lhe foi apresentado os sonhos em formar de palavras. Abrindo os olhos embaçados pela saudade.


~~


Primeiro post de 2011. Gostei do fim, não gostei do inicio! haha Enfim... Espero que o ano tenha começado bem, e se não, que melhore. Prometo que ao menos os meus textos irão ;D

Seguidores

Procurar?